Na ausência do dever
do Estado em garantir atendimento a saúde da população,
as empresas de planos odontológicos deitam e rolam.
 Recentemente, o Bradesco
fechou acordo assumindo 43,5% da Odontoprev, abocanhando cerca
de 4 milhões de clientes distribuídos em 1,5 mil
municípios e atendidos por aproximadamente 20 mil cirurgiões-dentistas.
 O acordo custou R$ 670 milhões
e a previsão da receita líquida anual do Bradesco
Saúde supera meio bilhão de reais. Um negócio
da china as custas da exploração dos profissionais
de odontologia.
 Quem atende os clientes deste
megaconvênio sabe que esta trocando seis por meia-dúzia,
pois a tabela de honorários embora aviltante não
deixa alternativas para o profissional. Os convênios são
a praga da odontologia.
Com a incorporação da Odontoprev pelo holding
Bradesco, a empresa passa a liderar o segmento de seguros odontológicos
no País, denominados no meio empresarial como
nichos.
 É o próprio
presidente da Odontoprev que afirma: “Acreditamos
muito na expansão desse nicho, uma vez que as classes
emergentes já começam a ter acesso aos planos
odontológicos e o governo não oferece o serviço.
Além do que, o custo médio do atendimento odontológico
é baixo, em torno de R$10, contra o custo médio
dos planos médicos que é de R$ 100”.
 Segundo o presidente do Conselho
de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão,
“o segmento de planos odontológicos deve
crescer bastante nos próximos anos e se mostra bastante
atrativo, pois atualmente apenas 11,3 milhões de pessoas
possuem o plano odontológico contra 41,4 milhões
que possuem plano de saúde integral.” Ou
seja: uma verdadeira galinha dos ovos de ouro.
 Esta é a dura realidade
que temos que enfrentar. Com os salários dos trabalhadores
congelados, com o mercado de trabalho saturado de profissionais,
com os custos altíssimos dos equipamentos e materiais
odontológicos, aluguel, tarifas públicas, dentre
outras despesas, exercer a odontologia com dignidade tornou-se
quase impraticável.
 Em contrapartida a esta situação
que atinge 70% da categoria odontológica, existe uma
pequena minoria que instalada nos comandos dos poderes públicos,
das empresas do setor e, especialmente, nas poderosas instituições
representativas da odontologia vivem igualmente uma nababesca
condição, organizando congressos, cursos de especialização,
viagens internacionais as custas do sofrido cirurgião-dentista
e, em geral, patrocinados por aqueles que os oprimem como a
Odontoprev
 O primeiro passo para o enfrentamento
desse quadro é ter consciência de como ele está
planejado. O segundo que é a melhor resposta, continua
sendo a velha e eficaz GREVE GERAL nos atendimentos
odontológicos aos convênios com duração
de um mês. Parece utopia mas é a única saída.
José Roberto
Gomes Corrêa
SCDRJ
scdrj@scdrj.org.br